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Ação dos EUA na Venezuela ameaça aporte chinês no Brasil

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05/01/2026
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A captura do presidente Nicolás Maduro e a intervenção militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela elevaram o nível de atenção na América Latina e reacenderam questionamentos sobre limites do direito internacional, interesses geopolíticos e impactos econômicos. O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que pretende assumir o controle das reservas de petróleo venezuelanas, as maiores do mundo.

Questionamentos jurídicos

Para o professor de relações internacionais Marcos Vinícius de Freitas, a retirada forçada de um chefe de Estado configura violação direta do direito internacional. Ele lembra que, desde 1945, a Carta das Nações Unidas só permite o uso da força em legítima defesa ou com aval do Conselho de Segurança. “É difícil não classificar o episódio como ato de guerra”, afirmou, ressaltando que a crítica à ação não implica apoio ao governo Maduro.

Reações internacionais

  • Apoiadores: países que endossam a intervenção por conveniências econômicas ou militares, como Argentina e Israel;
  • Temerosos: nações europeias que desaprovam a operação, mas evitam confronto direto receosas de prejuízos comerciais ou repercussões em outros conflitos, como o da Ucrânia;
  • Eloquentes: Estados que condenam publicamente a medida, porém têm pouca capacidade de mudá-la, caso de Brasil, Chile, México e Espanha;
  • Opositores: governos como Rússia e Irã, críticos à iniciativa, mas também questionados por intervenções anteriores.

Petróleo no centro da disputa

O comentarista econômico Miguel Daoud avalia que a produção de petróleo é o principal motor da decisão norte-americana. Segundo ele, a estatal venezuelana possui cerca de 35 mil poços, dos quais apenas 5 mil estão ativos. Com aportes entre US$ 200 mil e US$ 500 mil por poço, a produção poderia ser retomada rapidamente por meio de injeção de água. O óleo pesado venezuelano, essencial para diesel e asfalto, eleva o valor estratégico das reservas.

Daoud pondera que a prisão de Maduro não representa, na prática, uma mudança de regime: “Não houve transição democrática, mas um acordo com o grupo que controla o petróleo para garantir a continuidade da exploração pelos EUA”.

Efeitos sobre China e Brasil

Freitas destaca que a China, que já emprestou cerca de US$ 50 bilhões à Venezuela e hoje vê a dívida cair a US$ 15 bilhões, pode buscar novos fornecedores, como Angola, países do Golfo ou a própria Rússia. A eventual redução de nafta russa — usada para diluir o petróleo pesado venezuelano — também pode redesenhar fluxos comerciais, com os Estados Unidos voltando a fornecer o insumo.

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Imagem: canalrural.com.br

No longo prazo, o professor acredita que a maior presença militar norte-americana e a tentativa de afastar parceiros latino-americanos de Pequim podem afetar investimentos chineses no Brasil. “Isso ameaça nossa soberania e gera apreensão entre vizinhos, que não gostam de conviver com uma grande potência militar à porta”, disse.

O desdobramento da intervenção segue no radar de governos e mercados, atentos às possíveis mudanças na oferta de petróleo, na geopolítica regional e nas relações comerciais.

Com informações de Canal Rural

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