BNDES Analisa Suspender Dívidas de Empresas Afetadas

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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, informou nesta quinta-feira (28) que o banco estuda interromper temporariamente o pagamento de dívidas de empresas atingidas pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos.

A medida, conhecida como stand-still, seria direcionada principalmente a companhias que trabalham com produtos perecíveis. Estratégia semelhante foi aplicada pelo BNDES para socorrer negócios impactados pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul.

“Vamos estudar junto com o Ministério da Fazenda e com os bancos. Em alguns polos regionais, especialmente de produtos perecíveis, enquanto as compras públicas não forem implantadas, talvez seja necessário adotar essa medida”, declarou Mercadante, após reunião com prefeitos na sede do BNDES, no Rio de Janeiro.

Plano Brasil Soberano

Durante o encontro, representantes de 15 municípios receberam detalhes do Plano Brasil Soberano, programa do governo federal criado para apoiar exportadores e trabalhadores prejudicados pelas sobretaxas norte-americanas.

Equipes do banco percorrerão as cidades mais afetadas para audiências públicas com empresários, a fim de acelerar o acesso às linhas de crédito. Segundo Mercadante, o tempo de resposta é crucial para evitar maiores prejuízos às atividades econômicas.

Linhas de crédito

Na semana passada, o BNDES anunciou a disponibilização de R$ 40 bilhões em quatro linhas:

  • Capital de Giro – financiamento de despesas operacionais;
  • Giro Diversificação – busca de novos mercados externos;
  • Bens de Capital – aquisição de máquinas e equipamentos;
  • Investimento – inovação tecnológica e adaptação de processos.

Do montante total, R$ 30 bilhões virão do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões de recursos próprios do BNDES. Empresas que tenham perdido mais de 5% do faturamento bruto terão prioridade.

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Imagem: Fernando Frazão via canalrural.com.br

Impacto regional

O prefeito Simão Durando (União Brasil), de Petrolina (PE), representou municípios do Vale do São Francisco, importante polo de exportação de manga e uva. Segundo ele, há uma janela entre agosto e outubro para embarcar 2.500 contêineres de manga e 700 de uva aos EUA, e a incidência das tarifas “deixou todos de mãos atadas”.

Durando solicitou ao BNDES ampliação de prazos e acesso facilitado ao crédito para produtores de todos os portes. Ele reforçou que um terço dos habitantes de Petrolina depende diretamente da fruticultura irrigada, atividade que sustenta mais de 1 milhão de pessoas na região.

Já o prefeito Alexandre Augusto Ferreira (MDB), de Franca (SP), relatou consequências para o setor calçadista, que emprega de 12 mil a 14 mil trabalhadores no município. Cerca de 1 milhão de pares destinados ao mercado norte-americano estão retidos, pois atendem a especificações diferentes das exigidas em outros países e no mercado interno.

Mercadante afirmou que levará as demandas dos prefeitos ao governo federal para definir as próximas ações de apoio.

Com informações de Canal Rural

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