China Aponta Ameaça e Avalia Salvaguarda à Carne Bovina

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O governo da China comunicou à Organização Mundial do Comércio (OMC) que detectou prejuízo grave ou ameaça de prejuízo à indústria nacional de carne bovina em razão do avanço das importações. A notificação, encaminhada ao Comitê de Salvaguardas, faz parte da investigação aberta em 27 de dezembro de 2024.
Período e escopo da apuração
A análise abrange de 2019 ao primeiro semestre de 2024 e considera toda a cadeia de produção local de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada — carcaças, meias-carcaças e cortes, com ou sem osso, classificados nos códigos 02011000, 02012000, 02013000, 02021000, 02022000 e 02023000.
Números que sustentam a queixa
- Consumo interno: subiu de 807,49 mil t em 2019 para 987,89 mil t em 2023; no primeiro semestre de 2024 somou 465,59 mil t.
- Importações: avançaram de 165,94 mil t em 2019 para 273,69 mil t em 2023 e chegaram a 143,86 mil t nos seis primeiros meses de 2024.
- Participação das importações no mercado: saltou de 20,55% em 2019 para 30,90% no primeiro semestre de 2024.
- Quota das importações sobre a produção doméstica: passou de 24,87% para 43,86% no mesmo intervalo.
Efeitos sobre a indústria chinesa
Segundo Pequim, a concorrência externa provocou deterioração nos principais indicadores:
- Produção do produto similar caiu de 667,28 mil t (2019) para 328 mil t (1ºS/2024)
- Estoque subiu de 81,98 mil t para 158,08 mil t
- Receita encolheu de 4.093,09 para 2.143,55 centenas de milhões de yuans
- Lucro recuou de 168,34 para 22,55 centenas de milhões de yuans
- Emprego reduziu de 84 para 51 trabalhadores por produtor
- Produtividade desceu de 140 para 95 cabeças por pessoa/ano
Para o produto diretamente concorrente, a receita também cedeu, os resultados tornaram-se negativos a partir de 2023 e o uso de confinamentos caiu de 74,38% para 66%.
Próximos passos
A China ainda não definiu qual medida de salvaguarda poderá adotar, nem prazo de vigência ou cronograma de liberalização. Caso sejam aplicadas barreiras, países em desenvolvimento com participação individual reduzida — estimada em 6% do total — ficarão isentos, conforme o Artigo 9.1 do Acordo sobre Salvaguardas.
Imagem: canalrural.com.br
Cópias da notificação foram enviadas às missões de grandes exportadores na OMC, incluindo Brasil, Argentina, Uruguai, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos.
O processo segue em exame, e a decisão final sobre possíveis restrições às importações de carne bovina permanece em aberto.
Com informações de Canal Rural