Embrapa Testa Clonagem para Cultivo Comercial do Pau-rosa

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A Embrapa Amazônia Ocidental, em Manaus (AM), iniciou um projeto para viabilizar o cultivo comercial do pau-rosa (Aniba rosaeodora), espécie amazônica ameaçada após décadas de exploração predatória para extração de óleo essencial rico em linalol, insumo valorizado pela indústria de fragrâncias.
A iniciativa concentra-se na seleção de árvores matrizes, na clonagem por estaquia e na definição de práticas agronômicas capazes de reduzir perdas no plantio e garantir uniformidade nos talhões. A expectativa é estabelecer um modelo completo de produção, desde o melhoramento genético até o manejo em campo.
Seleção de matrizes e clonagem
O trabalho parte de 80 árvores localizadas na fazenda da empresa parceira Litiara/Agroflora, em Rio Preto da Eva (AM). Das 80, foram escolhidas 10 com vigor superior e teor de óleo acima de 1,5%. Em novembro de 2025 teve início a coleta de galhos dessas plantas para produção de clones por enraizamento de miniestacas.
Segundo o pesquisador Edson Barcelos, líder do projeto, a meta é aprimorar o método para produzir mudas clonadas em larga escala, à semelhança do que ocorre com café, eucalipto e erva-mate. A clonagem deve contornar a escassez de sementes e a heterogeneidade genética que elevam a mortalidade dos plantios de pau-rosa a taxas entre 70% e 90%.
Base genética ampliada
Será formada uma coleção de trabalho com materiais de diferentes procedências para sustentar programas de seleção e melhoramento. Entre os parâmetros a serem avaliados estão época e altura de poda, espaçamento, adubação e estratégias de controle de pragas e doenças.
Imagem: canalrural.com.br
Produção em queda acentuada
Na década de 1970, o Brasil produzia cerca de 500 toneladas anuais de óleo de pau-rosa. Em 2021, o volume caiu para 1.480 quilos. A área plantada não passa de 50 hectares, concentrada em Maués, Novo Aripuanã e Itacoatiara (AM). Além da falta de mudas de qualidade, produtores enfrentam burocracia na comercialização do óleo, o que desestimula compradores e favorece substitutos.
Para implantar cinco hectares são necessárias aproximadamente 5 mil mudas, número difícil de alcançar com sementes disponíveis. O projeto da Embrapa pretende fornecer tecnologia que assegure produção sustentável do óleo extraído de folhas e galhos, mantendo as árvores vivas e reforçando a cadeia produtiva regional.
Com informações de Canal Rural