Especialista Alerta para Falta de Proteção no Agro

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O comentarista de economia e política Miguel Daoud afirma que o agronegócio brasileiro chega a uma fase de maior instabilidade global sem o respaldo estatal que sustenta produtores em outras grandes economias.
Segundo o analista, nas últimas três décadas o Brasil se consolidou como um dos principais fornecedores de commodities, impulsionado por crescimento populacional, urbanização e aumento do consumo mundial de alimentos. No entanto, o ambiente externo mudou e, hoje, a dívida combinada de governos e empresas já equivale a cerca de 360% do PIB mundial, cenário que se soma a crescimento econômico mais lento e tensões geopolíticas crescentes.
Daoud destaca que Estados Unidos, Europa e China enfrentaram estágio semelhante oferecendo subsídios permanentes e estruturais ao setor agropecuário. No Brasil, essa opção é limitada pelo alto endividamento público e pelo reduzido espaço fiscal, que concentra incentivos apenas na agricultura familiar.
O especialista alerta que dívidas elevadas dificultam a queda dos juros, mantendo o país entre os que apresentam as taxas mais altas do mundo. Esse quadro eleva o custo do crédito, complica renegociações e pressiona o caixa dos produtores.
Principais pontos de risco levantados
- Elevação do endividamento rural;
- Crescimento dos pedidos de recuperação judicial;
- Ausência de seguro rural eficaz;
- Infraestrutura insufficiente, especialmente em armazenagem;
- Margens apertadas devido ao avanço dos custos de produção.
Nesse contexto, aponta Daoud, estratégias como diversificação, integração de atividades, agregação de valor e gestão financeira rigorosa deixam de ser opcionais e passam a funcionar como mecanismos de defesa econômica.
Imagem: canalrural.com.br
O comentarista frisa que não se trata de abandonar a produção de commodities, mas de reduzir a exposição diante de um ciclo que combina juros altos, menor crescimento global e ausência de uma rede pública de proteção ao produtor rural brasileiro.
Para Daoud, refletir sobre essas vulnerabilidades é essencial para evitar que o setor opere “no piloto automático” em um momento de elevada incerteza internacional.
Com informações de Canal Rural