Estudo Aponta Falhas em Seguros Climáticos para TUPs

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A Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) e o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) divulgaram na terça-feira (2), em Brasília, o estudo “Diagnóstico de Seguros em Terminais Portuários Autorizados”. O documento indica que a cobertura oferecida pelas seguradoras brasileiras é insuficiente diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos, criando entraves operacionais e financeiros para os Terminais de Uso Privado (TUP).
Desde fevereiro de 2024, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) passou a exigir que esses terminais contratem apólices obrigatórias. Porém, a localização fora de portos organizados transfere às empresas responsabilidades adicionais, como o gerenciamento de acessos terrestres, o que eleva a complexidade dos seguros.
Riscos climáticos citados
- Enchentes
- Vendavais
- Granizo
- Marés de tempestade
- Secas
- Ondas de calor
Principais obstáculos identificados
- Baixa concorrência entre seguradoras
- Práticas conservadoras de precificação
- Falta de conhecimento técnico sobre operações portuárias
- Franquias altas, muitas vezes dolarizadas
- Exposição cambial devido a equipamentos importados
- Estruturas complexas de cosseguro e resseguro atreladas ao “Risco Brasil”
O levantamento ressalta lacunas específicas: o mercado nacional não cobre adequadamente ocorrências como excesso de calor nem secas prolongadas, e há limitações para riscos sistêmicos, a exemplo da elevação do nível do mar.
Frente às restrições, alguns terminais recorrem a programas globais de seguros, enquanto outros investem mais em medidas de adaptação estrutural do que em transferência de risco.
Recomendações do estudo
- Ampliar o diálogo entre terminais e seguradoras
- Aprimorar as regras para coberturas climáticas
- Reduzir incertezas regulatórias
- Ajustar modelos de precificação
- Criar produtos alinhados à realidade portuária
Para Murillo Barbosa, presidente da ATP, o avanço dessa pauta é “essencial para garantir mais previsibilidade, segurança jurídica e eficiência aos terminais privados”. O secretário-executivo do MPor, Tomé França, defendeu regras modernas que equilibrem as relações entre contratantes e seguradoras. Já a diretora de Assuntos Econômicos da pasta, Helena Venceslau, informou que o governo trabalha com o setor para desenvolver soluções com melhor precificação.
Imagem: Porto de Santos via canalrural.com.br
O diagnóstico conclui que a superação dos gargalos depende de governança integrada entre iniciativa privada, seguradoras e Poder Público, capaz de reduzir custos e fortalecer o sistema de seguros portuários, especialmente os ligados a riscos climáticos.
Com informações de Canal Rural