Etanol Deve Superar Açúcar Na Safra 2026/27, Diz Analista

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A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil tende a recuar cerca de 5% na temporada 2026/27, mesmo com colheita maior de cana-de-açúcar, segundo projeção da consultoria Safras & Mercado. O motivo é o redirecionamento da matéria-prima para o etanol, diante da combinação de preços internacionais mais baixos do adoçante e demanda aquecida por biocombustíveis no mercado interno.
Em entrevista ao telejornal Mercado & Cia, do Canal Rural, nesta quinta-feira (1º), o analista Maurício Muruci afirmou que o cenário reúne dois movimentos simultâneos:
- Açúcar com cotações pouco atrativas na Bolsa de Nova York, refletindo-se também no mercado brasileiro;
- Etanol impulsionado por fundamentos favoráveis, sobretudo a maior procura por hidratado e anidro.
Muruci destacou que a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 27% para 30% é o “ponto de virada”. A mudança elevará a demanda anual do anidro em 1,65 bilhão de litros, sustentando preços dos dois tipos de combustível.
Mix mais alcooleiro
Para 2026/27, a Safras & Mercado estima que 53% da cana será destinada ao etanol e 47% ao açúcar. De acordo com o analista, as usinas enxergam:
- O açúcar em queda no exterior, pressionado pelo aumento da oferta em Índia, Tailândia e China, que compram menos do Brasil;
- O etanol com vantagem de preço, que chegou a 20%–25% sobre o açúcar no fim de 2025.
No ano passado, muitas usinas não conseguiram aproveitar essa vantagem porque já haviam fixado preços do adoçante, explicou Muruci. Para a próxima temporada, a expectativa é de maior flexibilidade para priorizar o biocombustível.
Imagem: canalrural.com.br
Oferta confortável de cana
O analista ressaltou que o crescimento da disponibilidade de cana oferece segurança para ampliar a produção de etanol sem risco de desabastecimento. Ele também avalia que a transição energética mantém o Brasil na liderança dos biocombustíveis e reforça a atratividade do produto no médio e longo prazo.
Efeito nas bombas
No curto prazo, Muruci não prevê vantagem expressiva do etanol para o consumidor, já que o primeiro trimestre coincide com a entressafra e gestão de estoques pelas usinas. Com o início da moagem, a oferta deve aumentar, pressionando os preços e favorecendo o hidratado em estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Com informações de Canal Rural