EUA Investigam Parcerias Entre China e Agro Brasileiro

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A escalada de disputas comerciais entre Estados Unidos, União Europeia e China eleva a incerteza no comércio global e coloca o agronegócio brasileiro em posição de risco, avalia o professor da Unesp e pesquisador do Instituto Nacional de Estudos sobre os Estados Unidos, Marcos Cordeiro Pires.
Segundo o especialista, a postura do presidente norte-americano Donald Trump, marcada por ameaças tarifárias frequentes, desorganiza fluxos de comércio em todo o mundo. Um exemplo recente é o interesse de Washington em adquirir a Groenlândia, território dinamarquês rico em minerais estratégicos, petróleo, gás e com posição privilegiada no Ártico.
A iniciativa provocou reação de países europeus, que cogitam adotar tarifas sobre até € 93 bilhões em produtos dos EUA. Para Pires, mesmo que o Brasil ocupe eventuais lacunas deixadas por fornecedores norte-americanos, o ambiente de incerteza tende a reduzir a demanda e afetar todos os agentes econômicos.
Investigação sobre laços com Pequim
O pesquisador destaca como sinal de alerta a aprovação, pelo Parlamento dos Estados Unidos, de uma lei que determina a investigação das relações entre a China e o agronegócio brasileiro. Na visão de Pires, Washington busca criar fundamentos para pressões futuras que possam limitar a atuação do Brasil no mercado chinês.
Ele cita possíveis barreiras à participação de empresas chinesas no comércio de grãos brasileiro ou restrições ao etanol caso cresça o investimento chinês no setor sucroenergético. “Há uma preocupação essencialmente comercial: em diversos indicadores, a produtividade agrícola brasileira já supera a norte-americana”, afirma.
Imagem: canalrural.com.br
Em meio ao cenário volátil, Pires recomenda prudência, diversificação de destinos de exportação e acompanhamento atento das mudanças nas relações internacionais, já que decisões políticas têm repercussão imediata sobre o comércio agrícola.
Com informações de Canal Rural