FAO Lança Aqua-Adapt para Adaptação da Aquicultura ao Clima
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A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) apresentou o Aqua-Adapt, ferramenta destinada a orientar governos, produtores, pesquisadores e demais participantes da cadeia na elaboração de estratégias de adaptação da aquicultura às mudanças climáticas.
Ondas de calor, variações na salinidade, redução do oxigênio dissolvido e a intensificação de eventos climáticos extremos estão entre os fatores que elevam o risco para espécies cultivadas em todo o mundo. A aquicultura responde hoje por mais da metade do pescado consumido globalmente, o que torna urgente a adoção de medidas específicas para aumentar a resiliência do setor.
Etapas indicadas pelo Aqua-Adapt
- Definir a unidade de adaptação – identificar se o foco será fazenda, espécie ou região, considerando o contexto socioecológico;
- Selecionar projeções climáticas – escolher modelos e cenários que sustentem o planejamento;
- Avaliar riscos e vulnerabilidades – mapear perigos, exposição e capacidade de resposta;
- Elaborar um plano de adaptação – definir ações de curto, médio e longo prazo, analisando custos, viabilidade técnica e possíveis riscos de má adaptação;
- Implementar a estratégia – executar o plano com participação dos envolvidos;
- Monitorar e avaliar – ajustar medidas conforme resultados e novas informações.
Segundo Fernanda Sampaio, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, o lançamento supre a falta de ferramentas que convertam diagnósticos em ações práticas. Já a cientista Doris Soto, da Universidade de Concepción, destaca o caráter participativo do processo, que integra produtores e gestores públicos numa mesma análise de riscos.
O guia foi testado no Chile, em cultivos de salmão e mexilhão, etapa que contribuiu para ajustar o método às condições de campo. O documento definitivo reúne três capítulos: desafios climáticos para a aquicultura, descrição do desenvolvimento do Aqua-Adapt e resultados dos estudos de caso. Há ainda um anexo com resumo das etapas, facilitando o uso por técnicos e produtores.
Imagem: Pixabay via canalrural.com.br
A FAO ressalta que a ferramenta pode apoiar políticas públicas e decisões de investimento ao oferecer um procedimento comparável entre países, reforçando a necessidade de ações coordenadas do nível local à governança internacional.
Com informações de Canal Rural