IC-Br Cai 3,04% e Acende Alerta no Agronegócio

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O Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br) recuou 3,04% em novembro, segundo dados divulgados pela autoridade monetária. A retração é acompanhada por um declínio de 5,43% no subíndice agropecuário, considerado o segmento mais sensível para as exportações brasileiras.
A queda ocorre em um cenário de custos internos elevados e produção em alta, combinação que pressiona margens de produtores rurais e exportadores. Para analistas ouvidos pelo Canal Rural, o movimento indica o início de um ciclo de preços mais baixos para as principais commodities vendidas pelo país.
Fatores que agravam o quadro
- endividamento recorde do setor produtivo;
- inadimplência crescente;
- taxa básica de juros (Selic) em torno de 15% ao ano;
- câmbio menos favorável;
- demanda externa desaquecida;
- supersafras pressionando preços em dólar;
- custos internos ainda elevados.
A combinação de preços cadentes e crédito caro aumenta o risco de renegociação de dívidas, venda de ativos e descapitalização, alertam especialistas.
Possíveis vetores de uma crise de preços
- desaceleração econômica na China, Europa e Estados Unidos;
- oferta global elevada de alimentos e minerais;
- dólar mais fraco, reduzindo a receita em reais;
- tensões geopolíticas que afetam o comércio;
- incerteza fiscal doméstica, que mantém juros elevados.
Medidas sugeridas ao setor privado
- travar preços via hedge, barter ou contratos antecipados;
- rever custos fixos e renegociar insumos, frete e armazenagem;
- alongar ou reestruturar dívidas antes de eventual piora do mercado;
- priorizar fluxo de caixa em vez de expansão;
- investir em agregação de valor para mitigar volatilidade de preços.
Recomendações ao poder público
- linhas emergenciais de crédito abaixo da Selic e com carência ampliada;
- reforço ao seguro rural e à subvenção;
- mecanismos automáticos de preços mínimos para pequenos e médios produtores;
- melhorias em logística e armazenagem para reduzir dependência da janela de exportação;
- previsibilidade tributária sobre exportações e insumos.
Economistas destacam que a trajetória do IC-Br costuma antecipar tendências de mercado; portanto, o recuo registrado em novembro serve como sinal de alerta para governos, cooperativas e produtores adotarem ações de mitigação antes que a queda nas commodities se transforme em crise de renda no campo.

Imagem: Daniel Popov via canalrural.com.br
Com informações de Canal Rural