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Lixo de Formigueiro Pode Impulsionar Biocombustíveis

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25/01/2026
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Resíduos descartados por formigas-cortadeiras podem abrigar microrganismos capazes de acelerar a produção de biocombustíveis, aponta pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de São Paulo (USP).

O trabalho, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e publicado em revista internacional, analisou como a alimentação das formigas saúva-limão (Atta sexdens) modifica o ecossistema interno do formigueiro e afeta a atuação de fungos e bactérias associados à colônia.

Como o estudo foi feito

Ao longo de quase dois meses, 28 colônias mantidas em laboratório foram divididas em quatro grupos com dietas distintas:

  • Apenas folhas, replicando o hábito natural;
  • Frutas e cereais (banana, mamão, maçã, aveia e arroz);
  • Dieta variada, alternando folhas, frutas e cereais;
  • Folhas, depois frutas e cereais, e retorno às folhas.

Principais resultados

Quando as colônias receberam exclusivamente frutas e cereais, o fungo cultivado pelas formigas deixou de crescer e não produziu o alimento normalmente consumido pelos insetos. Segundo os autores, tanto o fungo quanto as bactérias associadas a ele estão adaptados a decompor as fibras complexas presentes nas folhas.

A microbiota das colônias mostrou-se capaz de retornar ao padrão original quando a dieta com folhas foi restabelecida, comportamento comparado pelos pesquisadores ao que ocorre no intestino humano.

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Imagem: canalrural.com.br

Potencial biotecnológico

No “lixo” retirado pelos insetos—camada inferior do jardim de fungos, onde sobram restos vegetais pouco aproveitados—foi identificada intensa atividade bacteriana. Esses microrganismos produzem enzimas que degradam lignocelulose, estrutura que compõe grande parte da biomassa vegetal.

De acordo com a primeira autora, Mariana de Oliveira Barcoto, as enzimas encontradas podem ser úteis em processos de fabricação de biocombustíveis e em técnicas de biorremediação. O estudo também sugere novas investigações sobre como fatores como temperatura, umidade e variações climáticas influenciam esse ecossistema complexo.

Com informações de Canal Rural

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