Lula Diz Não Ter Pressa Para Retaliação Comercial aos EUA

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29) que não tem urgência em aplicar medidas previstas na Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, mas ressaltou que o procedimento precisa avançar para pressionar a retomada de negociações sobre a sobretaxa de 50% imposta a produtos brasileiros.

Lula já autorizou o uso da legislação, aprovada pelo Congresso e sancionada em abril, e a Câmara de Comércio Exterior (Camex) iniciou o trâmite que inclui a notificação oficial a Washington.

“Eu não tenho pressa”, disse o presidente em entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte. “Tomei a medida porque o processo precisa andar.” Segundo ele, respeitar todos os prazos na Organização Mundial do Comércio (OMC) poderia levar até um ano, por isso o governo optou por antecipar passos.

Tarifaço iniciado no governo Trump

As sobretaxas fazem parte da estratégia lançada em 2018 pelo então presidente Donald Trump para aumentar impostos sobre parceiros comerciais. Em 2 de abril daquele ano, os EUA elevaram tarifas de acordo com o déficit bilateral; como mantêm superávit com o Brasil, a alíquota inicial foi de 10%.

Em 6 de agosto, entrou em vigor uma tarifa adicional de 40%, elevando a taxação total a 50%, em retaliação a decisões que, segundo Trump, afetariam empresas de tecnologia norte-americanas e como resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Hoje, 35,6% das exportações brasileiras aos EUA estão sujeitas a esse percentual.

Espaço reduzido para diálogo

Lula reiterou que o Brasil está disposto a negociar “24 horas por dia”, mas afirmou que o espaço para conversas em Washington é limitado. O vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) lideram a tentativa de abrir novas frentes de diálogo, porém ainda não obtiveram retorno de autoridades norte-americanas.

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Imagem: Ricardo Stuckert via canalrural.com.br

Questionado sobre um possível telefonema a Trump, Lula respondeu que aguardará um sinal de interesse dos EUA: “Se o secretário do Tesouro não falou com o Haddad e o Alckmin não conseguiu falar com o pessoal do comércio, por que um telefonema meu resolveria?”

Combate ao crime organizado

Na mesma entrevista, o presidente classificou como “a operação mais importante da história” as ações policiais que investigam lavagem de dinheiro de facções do narcotráfico no setor de combustíveis. As apurações identificaram o uso de fundos de investimento e fintechs para ocultar patrimônio ilícito. A Justiça Federal determinou o bloqueio de bens e valores até R$ 1,2 bilhão.

Lula ressaltou que o objetivo agora é atingir “o andar de cima” do esquema: “O crime organizado hoje é uma verdadeira multinacional, com presença na política, no futebol, na Justiça e em vários setores”.

Com informações de Canal Rural

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