Mariangela Hungria Recebe ‘Nobel da Agricultura’

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Brasília – A pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria conquistou o World Food Prize 2025, distinção conhecida como “Nobel da Agricultura”, pela contribuição ao desenvolvimento de insumos biológicos que reduziram custos e emissões na produção de grãos no Brasil.
Filha de família simples de Itapetininga (SP), Hungria iniciou o interesse pela ciência graças à avó farmacêutica. Formada em agronomia, enfrentou preconceito em um setor então dominado por homens. O ponto de virada ocorreu durante o doutorado, orientado pela microbiologista Johanna Döbereiner, que a levou para a Embrapa em 1982.
Após estágios em Cornell e na Universidade da Califórnia, Davis, a cientista retornou ao país e instalou um laboratório em Londrina (PR). Ali, desenvolveu tecnologias de inoculação e coinoculação de bactérias benéficas para soja, milho e trigo, capazes de:
- fixar nitrogênio;
- estimular crescimento das plantas;
- elevar produtividade.
Os estudos apontaram aumento de até 16% na produtividade da soja, índice duas vezes superior às técnicas anteriores. No milho, microrganismos isolados por Hungria já respondem por mais de 40% da safra de inverno e 30% da safra de verão, cobrindo cerca de 8 milhões de hectares.
Com a adoção dos biológicos, a soja brasileira deixou de consumir fertilizantes nitrogenados equivalentes a US$ 27 bilhões na safra mais recente e evitou a emissão de 260 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, tornando-se um dos maiores exemplos globais de agricultura de baixo carbono.
Imagem: Embrapa via canalrural.com.br
O prêmio internacional reforça a projeção da pesquisadora e serve, segundo ela, como homenagem às mulheres que atuam de forma invisível no campo, de agricultoras familiares a guardiãs de sementes.
Com informações de Canal Rural