Real Valorizado Pressiona Agronegócio e Indústria

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O dólar voltou a recuar frente ao real nos últimos pregões, movimento associado à desaceleração da economia chinesa, aos primeiros sinais de perda de fôlego nos Estados Unidos e à expectativa de que o Federal Reserve inicie cortes de juros. Nesse cenário, o Brasil, que mantém taxas básicas elevadas, tornou-se destino natural do capital externo, reforçando a valorização da moeda doméstica.
Embora o câmbio mais forte reduza a inflação de bens importados e agrade parte do mercado, o efeito é inverso para setores produtivos. No agronegócio e na indústria, a apreciação do real diminui competitividade e estreita margens.
Impacto no campo
- Soja, milho, carnes, café e açúcar são cotados em dólar; com o real valorizado, esses produtos ficam mais caros para o comprador externo.
- Prêmios de exportação encolhem e a conversão da receita em reais perde força.
- Mesmo com eventual queda nos preços de fertilizantes, defensivos e máquinas, o alívio é parcial e lento, sem compensar a perda de receita.
Como parte significativa dos custos é paga em reais, a relação de troca piora para o produtor. A restrição de caixa aumenta em um ambiente de crédito ainda caro e seletivo.
O ex-ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen resumiu esse dilema ao afirmar que “a inflação se aleija e o câmbio mata”. A frase destaca a rapidez com que uma taxa de câmbio desfavorável pode inviabilizar negócios exportadores.
Componente político em 2026
O debate ganha força às vésperas das eleições de 2026. Moeda valorizada tende a fortalecer a percepção de bem-estar ao baratear produtos importados, conter a inflação percebida e facilitar viagens ao exterior. Ainda assim, o Banco Central sinaliza que, mesmo em 2026, a Selic dificilmente ficará abaixo de 12%, patamar que deve continuar atraindo capital estrangeiro e sustentando o real fortalecido.
Imagem: canalrural.com.br
Analistas ressaltam que esse equilíbrio beneficia o consumo no curto prazo, mas cobra um preço alto do agronegócio exportador, da indústria nacional e do potencial de crescimento no médio e longo prazo. Para uma economia dependente da venda de commodities, a moeda excessivamente apreciada representa risco estrutural.
Com informações de Canal Rural