Tarifas e Reforma Tributária Ameaçam Café Solúvel do Brasil

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A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) alertou que a posição do Brasil como maior exportador mundial do produto corre risco após um ano marcado por tarifas externas e mudanças na tributação interna. O diagnóstico foi apresentado pelo diretor-executivo da entidade, Aguinaldo José de Lima.
Pressão dos Estados Unidos
Em 2025, o setor foi surpreendido por uma tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos especificamente ao café solúvel. Café em grão e torrado entraram no país com alíquota zerada, ampliando a desvantagem competitiva do produto industrializado brasileiro.
- Até junho, as exportações cresciam 5% em relação ao primeiro semestre de 2024.
- Após a cobrança do novo imposto, novembro registrou queda de 72% sobre igual mês do ano anterior.
- A Abics projeta recuo de cerca de 9% no volume exportado em 2025, retornando ao patamar de dois anos atrás.
Mesmo com a redução de embarques, o faturamento deve permanecer acima de US$ 1 bilhão por causa dos preços elevados do café, segundo a associação.
Impacto dos acordos comerciais
A não conclusão do pacto Mercosul–União Europeia frustrou expectativas de redução gradual da tarifa de 9% cobrada pelo bloco europeu. A UE é o segundo maior destino do café solúvel brasileiro, atrás apenas dos Estados Unidos.
Na Ásia, acordos regionais beneficiam concorrentes como Vietnã e Indonésia, que negociam entre si com tarifa zero. O Vietnã já eliminou tarifas com a União Europeia e deve ultrapassar o Brasil como principal fornecedor de café solúvel ao bloco em 2026, segundo Lima.
Reforma tributária no mercado interno
No Brasil, a indústria perderá gradualmente, entre 2027 e 2032, o crédito presumido de 7,4% de PIS/Cofins. Para a Abics, a retirada reduz diretamente a rentabilidade do produto e soma-se aos obstáculos externos.
Imagem: canalrural.com.br
Cobrança por reação governamental
Diante do cenário, a entidade defende atuação mais agressiva do governo em acordos bilaterais e eventuais cotas ou reduções temporárias de tarifas para preservar espaço conquistado ao longo de mais de 60 anos.
A Abics espera que 2026 traga avanços nas negociações comerciais e soluções tributárias que garantam a competitividade do café solúvel brasileiro no mercado internacional.
Com informações de Canal Rural