Tensão no Irã Eleva Ameaça de Custo ao Agro Brasileiro

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A intensificação dos protestos e da repressão no Irã, que já resultaram em centenas de mortes segundo a imprensa internacional, pode ultrapassar as fronteiras do Oriente Médio e afetar diretamente o agronegócio brasileiro. O país persa tornou-se um parceiro comercial de peso para o Brasil, responsável por mais de US$ 3 bilhões em compras de produtos nacionais em 2024, colocando-se como o quinto maior destino das exportações brasileiras na região.
Exportações concentradas no campo
- Soja (grãos e farelo) lidera a pauta de vendas;
- Milho registra avanço significativo em volume e valor;
- Açúcar figura como item estratégico;
- Proteínas animais, com destaque para carne bovina e animais vivos;
- Café mantém presença tradicional.
Dos dez principais produtos embarcados para Teerã, nove são agropecuários, reforçando a relevância do mercado iraniano para o escoamento de commodities brasileiras.
Dependência de fertilizantes
Do lado das importações, embora os volumes sejam menores, o Irã ocupa posição sensível no fornecimento de ureia — foi o terceiro maior fornecedor desse fertilizante ao Brasil em 2024. A lista inclui ainda matérias-primas petroquímicas, polímeros de etileno, uvas passas, caviar e frutas.
Riscos mapeados
Especialistas alertam que uma eventual escalada da crise iraniana pode provocar:
- bloqueios logísticos nos embarques;
- dificuldades de pagamento;
- novas sanções internacionais;
- desorganização da produção local.
Esses fatores tenderiam a reduzir a oferta global de ureia, pressionando preços e encarecendo o custo de produção nas lavouras brasileiras, que já enfrentam crédito caro, margens apertadas e riscos climáticos elevados.
Efeito em cadeia
Fertilizante mais caro eleva o gasto na lavoura, reduz a rentabilidade do produtor, limita investimentos e compromete a produtividade futura, gerando impacto em toda a cadeia do agronegócio nacional.
Imagem: canalrural.com.br
BRICS: oportunidade ou exposição?
A recente entrada do Irã no bloco BRICS abre caminhos alternativos de comércio e pagamento, mas também aumenta a dependência de um fornecedor politicamente instável, ampliando a vulnerabilidade do setor rural brasileiro a oscilações geopolíticas.
Enquanto a situação interna iraniana permanece incerta, produtores e exportadores brasileiros acompanham com atenção os desdobramentos que podem refletir em custos, oferta de insumos e fluxo de vendas do país.
Com informações de Canal Rural