Uso de Compulsórios Pode Reduzir Crédito ao Pequeno Produtor

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Instituições financeiras, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e o Banco Central do Brasil discutem a possibilidade de direcionar parte dos depósitos compulsórios para reforçar o caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A medida, avaliada após quebras recentes de bancos, tem como objetivo ampliar a segurança do sistema financeiro.
Os depósitos compulsórios são recursos que as instituições mantêm retidos no Banco Central e representam a principal base do crédito rural obrigatório, que financia programas como o Pronaf e linhas voltadas à agricultura familiar. Especialistas alertam que, caso a mesma fonte de recursos passe a abastecer simultaneamente o FGC e o crédito rural, pode haver disputa por liquidez, encarecimento das operações e redução de prazos principalmente para pequenos produtores.
Nenhuma autoridade confirmou transferência direta de verbas do crédito rural para o fundo garantidor. Contudo, analistas, entre eles o comentarista econômico Miguel Daoud, afirmam que a pressão sobre a mesma base financeira tende a refletir em:
- condições mais restritivas para novas operações;
- elevação de custos do financiamento;
- postergação de investimentos no campo.
De acordo com Daoud, grandes grupos do agronegócio contam com alternativas de captação, enquanto produtores de menor porte dependem majoritariamente do crédito direcionado. Por isso, eventuais mudanças nos compulsórios exigiriam, segundo ele, salvaguardas regulatórias para blindar as linhas voltadas a esse público.

Imagem: canalrural.com.br
Até o momento, o Banco Central não detalhou se adotará a proposta nem os possíveis mecanismos de proteção ao crédito rural. A decisão deve ser tomada após diálogo com o setor bancário.
Com informações de Canal Rural